aguas do sul

"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

sexta-feira, dezembro 02, 2016

A Menorização do Património chegou ao Tua

A menorização das questões identitárias, que definem uma região, um Povo, um País e do seu Património está imparável.
O Pirosismo que invadiu Portugal carece da frontalidade, espírito crítico e sarcasmo de um Eça, um Camilo, um Ortigão, um Aquilino, um Saramago, pois não vislumbro autores literários com características para enfrentar interesses instalados. Até o José Luís Peixoto, que chegou a dar aulas, uma vez na Televisão disse que tinha uma família para sustentar e era por isso que agora escrevia... (quantos empresários do novo filão turístico leram esses e outros autores indispensáveis à formação cultural de quem anseia dirigir empreendimentos e projectos que promovam o que é genuíno em Portugal?)
A Americanização do centro das cidades, transmutando em cenários Hollywoodescos espaços históricos, chegou a Trás - os - Montes.
Lemos na página 20 do "Público" de hoje que "O comboio turístico que o grupo Douro Azul  pretende pôr a circular na linha do Tua suscitou uma onda de indignação  nas redes sociais porque a locomotiva, de desenho tipicamente americano, parece saída da Disneylândia".
E acrescenta a notícia: "O Tua Express, inspirado nos comboios do Tio Sam, vai circular a partir da próxima Primavera ent5re Mirandela e Brunheda, nos 33 quilómetros de via estreita que sobreviveram à barragem."
Dizem os entendidos que "Uma locomotiva americana nada tem a ver com a cultura ferroviária europeia e portuguesa".
Em suma, será bom haver um comboio por aquelas bandas, mas não vale tudo!

Ler a informação completa aqui:


Luís Filipe Maçarico (texto) Imagem do jornal "Público"

quinta-feira, dezembro 01, 2016

A Metamorfose do Palácio do Barão de Quintela e o "Esquecimento" do Espírito do Lugar, da História das Invasões Francesas

Já que hoje voltamos a ter o feriado da independência nacional, que poderemos dizer da transformação do Palácio do Barão de Quintela, em catedral da restauração, chamando-se agora "Palácio do Chiado", sem qualquer alusão na frontaria acerca da primeira invasão francesa (1807-1808), pois foi ali que Junot se instalou e "ficou a ver navios", "comendo à grande e à francesa"...

Todos os presidentes da Câmara Municipal de Lisboa, de esquerda e de direita foram omissos em relação à História da cidade e do País, que passou por ali. 

Leiam Rui Cardoso e Teresa Caillaux de Almeida, é uma recomendação que faço àqueles que se contentam em lamber os sapatos dos autarcas, por serem de um partido, pondo likes como carimbos...
A humildade desapareceu e certas pessoas transformaram-se em autómatos do aplauso, sem espírito crítico. 

Com Cesário Verde sucede algo semelhante. As marchas de Lisboa falam das varinas de Cesário, mas muitos dos vereadores nunca leram o Poeta. 

País de Ignorantes que festejam a transformação do Palácio em sete áreas de restauração, inclusivé o sushi. Agrada-me que um edifício de valor histórico saia do esquecimento e seja requalificado, mas neste caso não se lembraram de colocar um daqueles marcos, que evocam a história, o espírito do lugar. 

A Memória e a História da cidade são desprezados todos os dias e estou-me nas tintas para quem não me considera cool. Aos que ficam agoniados com a minha prosa aconselho experimentarem levando onde levam as galinhas...

Luís Filipe Maçarico

quarta-feira, novembro 23, 2016

João de Araújo Correia. O Médico-Escritor cujo Consultório era um Laboratório Literário", comunicação apresentada em 22 de Novembro de 2016, no Colóquio dos Olivais

Apresentei esta terça-feira, 22 de Novembro de 2016, a derradeira comunicação deste ano, no Colóquio dos Olivais. Intitulada "João de Araújo Correia. O Médico-Escritor cujo Consultório era um Laboratório Literário", serviu para despertar novos leitores, que desconheciam a vida e a obra do "Mestre de Nós Todos"...
No entanto, a Escola Eça de Queirós não possui este autor na sua Biblioteca, apesar dele integrar o Plano Nacional de Leitura...
A minha gratidão ao incansável paladino queirosiano Senhor Professor Fernando Andrade Lemos, entusiástico organizador de eventos que acrescentam interesse a temas da cultura nacional. Uma vez mais incluiu-me no programa, em lugar cativo, não havendo palavras para agradecer esta atenção para com o meu trabalho enquanto antropólogo e intelectual. A revista "cadernos culturais de Telheiras" tem publicado as minhas intervenções, o que me muito me honra, designadamente: "Imaginário Popular em torno de Santo António, na Cidade de Lisboa, no início da segunda década do século XXI " (2012), "Mãos que Protegem, Mãos que Chamam - Como um Objecto da Tradição foi Reinventado: A Chamada Mão de Fátima" (2015) e "Os 'Jordões' de Pias: Uma Tradição Ímpar" (2016).

Desta vez, tive oportunidade de chamar a atenção para "O mérito do contista [João de Araújo Correia], que se alicerça no espírito do lugar, na sabedoria narrativa, na qualidade linguística, eivada de regionalismos, mas também pela admirável escala humana que o inserem na galeria dos escritores transmontanos de referência."
JAC "procurava na privacidade e na solitude do seu duplo labor, o equilíbrio entre as duas pessoas que o habitavam: O Médico e o Escritor."
Sobre a sua primeira obra, escrevi: "Livro tecido com a beleza de uma teia lambida pelo orvalho, "Sem Método", como toda a prosa de João de Araújo Correia, é rio límpido, socalco luminoso, filigrana de um verbo que retrata o povo, pobre, faminto e miserável, com gentileza de harpa e alegria de concertina, não deixando de inserir na caminhada dos humildes que ausculta e procura curar, a dureza da paisagem esmagadora, o chão custoso de germinar a poesia da vida, apesar do imenso suor e dos incansáveis esforços."
No que concerne à Tertúlia João de Araújo Correia disse que "é de louvar o incansável labor dos membros da Tertúlia, pela sua actividade permanente, divulgando a vida e a obra do intelectual duriense cujos personagens imortalizam o Douro, na mesma proporção com que o Douro imortaliza os seus contos."
E a terminar afirmei: "A língua portuguesa enriqueceu-se com este regresso. As actuais gerações e os novos leitores têm agora acesso a verdadeiros tesouros." 

Luís Filipe Maçarico         

segunda-feira, novembro 14, 2016

De Serpa, uma Carta com a Grande Sabedoria da Vida

Ao longo da minha vida de Poeta, registei com muita alegria a opinião dos Professores, que acompanharam o meu crescimento.
Maria Manuel Montenegro Miguel, na Escola Preparatória Francisco Arruda estimulou-me bastante, registando num teste que eu escrevia muito bem!
Maria Fernanda Sousa, na Escola Comercial Ferreira Borges, incentivou-me a escrever, comentando (através de correspondência mantida ao longo dos anos) os meus versos, com uma linguagem de extraordinário apuro.
Foram as minhas professoras de Português no caminho normal de um estudante comum.
Quando em adulto e após vir de Moçambique, ingressei na varredura da CML e decidi nas horas livres frequentar o 10º, 11º e 12º  do Curso Nocturno, no Liceu D. João de Castro, tive a honra de ter como Professor o escritor Carlos Correia que na última aula disse aos meus colegas que iam ouvir falar de mim, pois eu era poeta.
A profecia cumpriu-se e tudo o que sou deve-se a esses apoios.
Falemos dos leitores.
Na apresentação do primeiro livro (Da Água e do Vento), na Feira do Livro, apareceu uma rapariga simpática, quase em êxtase, enaltecendo a minha poesia, de uma forma tão teatral que me lembrou aquela frase "cantas bem mas não me alegras!". Disse ela, pestanejando muito: "Obrigado, Poeta por existires!"
Desde então, recebi elogios de confrades, aplausos de leitores, mas também descobri que uma criatura que julgava amiga arrecadara os meus livros na cave do prédio onde mora, numas estantes metálicas para arrumos de ferramentas e utensílios, junto com os detergentes e os trastes.
Um poeta transtagano, seguramente infeliz, talvez por nunca ter conseguido realizar os seus sonhos megalómanos, olhou para o volume, em que eu celebrava a terra onde nasci - Alentejo  e começou a vomitar correcções, tipo aqui riscava esta frase e deixava ficar este verso, etc.
Não me deixo levar com estes sinais fugazes, umas vezes positivos, outras vezes contrários.
Vem isto a propósito de ao longo dos anos apresentar raras vezes o que escrevo. Se procuro alguma coisa é a tranquilidade e morrer em Paz. Ouvir o silêncio, é-me precioso.
Contudo, em 1 de Outubro e a convite dos "Amigos do Alentejo" bisei a declamação poética de temática alentejana, desta vez optando por outros autores: Romão Moita Mariano, Mestre ferreiro de Pias, poeta apurado, sábio e ainda Eduardo Olímpio e Manuel da Fonseca.
Antes da função se iniciar, uma senhora de Serpa - integrante de um Grupo local de Cante no Feminino, dirigindo-se a mim pediu: "Senhor Luís dê-me cá um bejo que eu gosto muito dos seus poemas."
Aparvoado, soube pela senhora, Ana Rita de seu nome, que ela estivera no lançamento na Casa do Cante do meu "É de Noite Que me Invento" e que o conteúdo dissera-lhe muito.
Explicando que decidira dizer outros poetas e perante o seu lamento, pois estavam pessoas que não conheciam a minha escrita, recitei-lhe num cantinho o meu poema "Olho nos Olhos Estes Velhos" e pedi-lhe a morada para lhe enviar livros meus.
Recebi hoje a carta desta leitora que vale mais que muita prosa laudatória, pela qual, quando somos jovens, tanto ansiamos...
Esta Amiga partilhou a sua sabedoria, numa caligrafia belíssima, de conteúdo mágico...
Não resisto a transcrever um excerto, que me transmitiu uma força extraordinária para continuar neste Mundo:
"Na minha primavera dos sonhos, e eu em Paris, Maio 68 também em grande eu sonhava...Aprendi e vivi a liberdade!Porém, houve sonhos realizados, outros desencontrados, alguns sempre sonhados.. (...) A vida nunca se perde quando partilhada, amada para o bem comum.
Sinto que me vou deste mundo onde passei como faísca que arde. Apenas a deixar cinzas de tantos sonhos sonhados...
Que o sonho não acabe. Que se realizem os sonhos." 
Digam lá se há prémio melhor para um escritor do que esta carta, esta reacção.

Luís Filipe Maçarico (fotografia de AIC)

quinta-feira, novembro 10, 2016

Um Poema Meu em "O Desporto na poesia portuguesa"

Na cronologia que tenho estado a apresentar, relativamente às publicações Antológicas onde sou citado, através de um ou mais versos, recordo o volume bem interessante intitulado "O Desporto na poesia portuguesa", com pesquisa selecção e notas de José do Carmo Francisco, editado pelo Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, em 1989.
 
Nele há poemas de Alexandre O'Neill, Amadeu Baptista, António Aleixo, Armando Silva Carvalho, Carlos de Oliveira, Carlos Pinhão, David Mourão Ferreira, Eduardo Guerra Carneiro, Eduardo Olímpio, Fernando Assis Pacheco, Fernando Grade, Fernando Namora, Fernando Pessoa, Ivone Chinita, Joaquim Pessoa, José Jorge Letria, Manuel Alegre, Manuel da Fonseca, Ruy Belo e muitos outros, num total de 71 autores.
Na página 69, recorda-se um poema breve, de minha autoria, publicado no jornal A BOLA, dedicado a Rosa Mota:

UM POEMA PACIENTE

Com pó nas pálpebras
e espinhos nas pegadas
és um poema paciente
de pés e pernas escrito a pulso
pétala do júbilo seiva da vida
Rosa dos muros e das estradas.

Luís Filipe Maçarico

A Primeira Antologia onde há poemas meus: "O Poeta Faz-se Aos 10 Anos", de Maria Alberta Menères


 
O primeiro volume "antológico", onde apareceram poemas meus (era ainda adolescente), foi coordenado por Maria Alberta Menères e a Assírio Alvim editou em 1973.
 
Foi surripiada essa primeira edição, por uma daquelas visitas da antiga casa que lá iam, para se abastecer de livros emprestados e depois nunca mais se lembravam de os devolver, até que pus término a essas visitas...
 
Chamava-se a obra, - reeditada pela Plátano em 1984 - "O Poeta Faz-se aos 10 Anos", baseando-se a segunda parte, numa selecção dos poemas que a autora recebeu na "Iniciação Literária" do suplemento do "Diário Popular", "Doutor Sabichão", entre  14 -1 - 1972 a 20-4-1973.

 
Os meus versos surgem em várias páginas (84-85 e 139-140). Destaco "Abstracção".
 
ABSTRACÇÃO


Já repararam como eu hoje estou aéreo?
Não vêem porquê?
- Porque este poema nasceu estúpido e frio!
Hoje (Já o devem ter pressentido) sinto-me vazio!
 
Luís Filipe Maçarico


quinta-feira, novembro 03, 2016

Poemas Meus nos Cadernos Viola Delta volume XXXI (2001)

Fernando Grade é o coordenador dos Cadernos Viola Delta, onde em 2001, e sob a temática "Poemas sobre o Amor" apareceram mais poemas meus da colecção "Hemisférios", na página 23. Quinze poetas - e entre eles José do Carmo Francisco - participaram neste volume (o XXXI).

HEMISFÉRIOS

Na geografia do deleite
Desfolho o mapa
da lascívia

À procura do hemisfério
Que me satisfaça

***

Mediterrânica,
A noite dá às coxas

Tanto desejo
Derramado
Sobre a cama
Ardente
de Vénus...

***

No meu pénis
o gostoso ruminar
Da tua boca laboriosa
Forja arestas
de indescritível
Alegria

Mágico silêncio
Da insónia das flautas.

Luís Filipe Maçarico

A minha participação na "Antologia da Poesia Erótica"(1999)

A poesia que escrevo é diversa. No tamanho e no conteúdo.
Hoje revelo uma parte menos conhecida, enlanguescida, com metáforas ou directa, sem floreados
Para quem tivesse dúvidas, escancaro uma parte da minha escrita exibindo um naco (extraído de um livro nunca editado, que foi 2º Prémio do Concurso "Interarte/84" e se chamava "Hemisférios") da minha poesia erótica, incluído na "Antologia da Poesia Erótica", coordenada por Paulo Brito e Abreu, editado pela Universitária Editora, em 1999.
Nesta Antologia sobressaem os nomes de António Simões, Alexandre O'Neill,  Eduardo Olímpio, Luísa Neto Jorge e  António Gedeão, a par de dezenas de outros autores conhecidos.

"Por debaixo
do umbigo trazes
uma guitarra
para eu tanger
com a fúria
do sangue
embriagado

*

na manhã de tintas 
musicais e odores viris
as ancas se enlaçam
para mastigar
a amêndoa do prazer

*

à beira-mar abafa-se
antes penetrar com mel
esta estrela
é o cio de bruços
sobre um tapete persa

*

salivado de verbo
acaricio o clitóris das palavras
num verso onde as borboletas
talvez se masturbem
sobre as amoras

*

vem-te,
Palavra!

Luís Filipe Maçarico

A minha Participação em "100 Anos Federico García Lorca Homenagem dos Poetas Portugueses" (1998)

Na Universitária Editora e com a coordenação do saudoso Poeta Ulisses Duarte, em 1998 surgiu a quarta Antologia onde foi incluído um poema meu. Tratou-se de "100 Anos Federico García Lorca Homenagem dos Poetas Portugueses". 
Foram 208 nomes que assinaram as mais de trezentas páginas da obra. Destaco: Eugénio de Andrade, presença assídua nestas Antologias, Adalberto Alves,Ernesto de Melo e Castro, António Borges Coelho, José Fanha, José do Carmo Francisco, Jaime Gralheiro, Eduardo Olímpio, Luísa Ducla Soares e muitos outros autores, que marcam a cultura portuguesa.
Eis o poema ( página 188) com que participei neste colectivo:

LORCA

Ardeste no coração das videiras
Mágoas e estrelas embalaste
Com a firmeza das oliveiras
Os cornos das trevas fintaste.

Foi teu lume a poesia
Paixão do sangue andaluz
Cavalgando a melodia
Floriste canções de luz.

Federico Romanceiro
Rei, cigano, mouro
Na guitarra e no pandeiro
Teus versos cheiram a touro.

Luís Filipe Maçarico

Antologias Poéticas Onde Participei 3- Cântico em honra de Miguel Torga

Em 1996, António Arnaut e Rui Mendes coordenam a terceira Antologia ou Colectânea onde participo. Chama-se "Cântico em honra de Miguel Torga", editado pela Fora do Texto, Coimbra.
Uma vez mais o grupo de poetas que acederam participar nesta obra, é enorme e de qualidade. Para não ser fastidioso cito uns quantos, mais conhecidos: A.M. Pires Cabral, Albano Martins, Amadeu Baptista, Ana Hatherly, Ana Luísa Amaral, António Ramos Rosa, António Salvado, Casimiro de Brito, Cecília Barreira, Eduardo Olímpio, Egito Gonçalves, Eugénio de Andrade, Fernando J.B. Martiinho, J.O.Travanca-Rêgo, João Rui de Sousa, Joaquim Pessoa, Manuel Alegre, Orlando da Costa, Papiniano Carlos e Sophia de Mello Breyner Andersen, num total de 85 vozes importantes.
Na página 95 aparecem três quadras de minha autoria com o título "Torga". Partilho apenas a terceira pois parece-me mais conseguida:

TORGA

3.

Do Povo iluminou suores e lavras
Diante de castanheiros e cabeços,
As mãos na farinha das palavras
O coração num altar de versos.

Apenas na segunda década do século XXI conheci o miradouro de São Leonardo de Galafura, o lugar que guarda toda a Poesia do Mundo e a essência dos versos do transmontano Adolfo Rocha/Miguel Torga.

Luís Filipe Maçarico


terça-feira, novembro 01, 2016

ANTOLOGIA DE HOMENAGEM A CESÁRIO VERDE


ANTOLOGIA DE HOMENAGEM A CESÁRIO VERDE


Voltei a participar numa colectânea de poesia, uma década decorrida sobre a primeira experiência.
Foi em 1991 que saiu a "Antologia de Homenagem a Cesário Verde", organizada por dois poetas já desaparecidos: Orlando Neves e José Manuel Capelo. 
Neste volume participaram poetas como Albano Martins, Alberto Pimenta, António Ramos Rosa, António Salvado, Eugénio de Andrade, Fernando Grade; João Rui de Sousa, Joaquim Pessoa, José do Carmo Francisco, Matilde Rosa Araújo, Natália Correia, Sophia de Mello Breyner Andresen, num total de quarenta e nove.
A Câmara de Oeiras editou e na página 48 surge este meu retrato de Cesário em duas quadras:

CESÁRIO

1.

Em versos de auro delicado
dignos de paleta genial
com dor e euforia está gravado
o tédio de viver em Portugal.

2.

Amou a cidade como ninguém
cantava um campo só de alegria
colhia o colorido que tudo tem
sonhava a impossível harmonia.


Luís Filipe Maçarico

Antologias Poéticas onde Participei: Cadernos Despertar

Decidi avançar neste primeiro de Novembro de 2016, com a concretização da "Antologia" da minha Poesia publicada nos 20 livros editados até 2015, mais os versos incluídos em mais de dez antologias, que foram dadas à estampa entre 1982 e 2011. 
Porque a maior parte desses livros (as antologias onde os meus poemas foram divulgados) estão esgotados, vou recordá-los a partir de agora, neste blogue.

CADERNOS DESPERTAR

Há trinta e quatro anos, três poemas meus foram incluídos numa colectânea breve, intitulada "Cadernos Despertar- I", que tinha poetas como Eduardo Olímpio, José Carlos Ary dos Santos e José Jorge Letria.
Foi em 1982 e o livrinho (de bolso) elaborou-se numa gráfica da Amadora, graças à fraternidade do director do velho "Notícias" daquele concelho.
Mostro-vos dois desses versos, onde já exercitava a síntese:

POESIA

profetizando
a pele de fogo
das amoras

as palavras ardem
no coração da terra

página 37

SESIMBRA

Tecendo sombras
o rosto cansado
do velho
que o mar
não engoliu
perde o olhar
no horizonte.

página 39

Tinha então trinta anos e todos os sonhos do Mundo. Era o tempo em que ainda havia alguns jornais com suplementos literários...
Todavia, os "Cadernos Despertar" não tiveram continuidade. A vida, sim. E foi sementeira para a Poesia florir. Daí até ao meu primeiro livro iria decorrer (quase) uma década...

Luís Filipe Maçarico